O Primeiro Livro de Magia
Na idade média, as pessoas viviam com medo de bruxas e feiticeiros.
Entre as lendas, surgiu o mito de Merlin, o grande feiticeiro da Grã-Bretanha.
Entre as verdades, porém, surgiu o terrível Tribunal da Inquisição,
que torturou e matou milhares de pessoas acusadas de bruxaria.
Para acabar com muitas injustiças, o Juiz Reginald Scot escreveu, em
1584, um livro chamado A Descoberta da Bruxaria, onde explicou muitos segredos
utilizados pelos mágicos da época, a fim de provar que os fenômenos
nada tinham de demoníacos. Esse é considerado o primeiro livro
de mágicas da história.
O Primeiro Mágico de Cartola
Durante a campanha de Napoleão, muitos países foram conquistados.
Um desses países era a Argélia. Mas os feiticeiros locais incitavam
a população a resistir contra a ocupação francesa.
Então, o governo da França utilizou uma estratégia realmente
“mágica”: enviou o ilusionista mais famoso da época
para enfrentar os feiticeiros da Argélia.
Monsieur Jean Eugène Robert-Houdin, ou simplesmente Robert-Houdin,
utilizou números de mágica para vencer os feiticeiros e provocar
a rendição dos argelinos.
Robert-Houdin é considerado o “Pai da Magia Moderna”. É
dele a expressão “o mágico é um ator que faz o
papel de mágico”. Graças a ele, a mágica deixou
de ser apresentada por charlatões e artistas de rua, para tornar-se
uma arte teatral de grande prestígio. Curiosamente, Robert-Houdin começou
a se dedicar à mágica quando tinha 50 anos de idade. Mesmo assim,
influenciou enormemente os mágicos de sua época, que deixaram
de se apresentar com roupas exóticas e passaram a se vestir casaca
e cartola. Aliás, muitos ilusionistas utilizam essas roupas até
os nossos dias.
O Mestre dos Mágicos
Eric Weiss, nascido na Hungria em 1874, era um apaixonado pela magia de Robert
Houdin. Então, em homenagem a ele, começou a apresentar-se com
o nome artístico de Harry Houdini ou, simplemente, Houdini. Com o tempo,
Houdini tornou-se um dos artistas mais importantes dos Estados Unidos, ao
lado de seu grande amigo Charles Chaplin.
A fama de Houdini percorreu todos os continentes, por sua estranha capacidade
de escapar de qualquer tipo de prisão. Seu lema era “Ninguém
pode prender Houdini”.
O Mágico do Cinema
Quando vibramos com os poderes mágicos de Harry Potter ou outros sucessos
de bilheteria, não podemos deixar de render homenagem a George Méliès,
um mágico francês do século XIX. Quando o cinema nasceu,
as pessoas ficaram entusiasmadas com a possibilidade de ver imagens projetadas
numa parede. Porém, logo o entusiasmo passou e as salas de projeção
começaram a ficar vazias, causando grande prejuízo.
Foi então que Méliès, em 1896, teve a idéia de
utilizar truques de câmera para fazer grandes números de mágica
nas telas. O interesse das pessoas voltou e, em pouco tempo, muitos filmes
passaram a ser apresentados com truques de câmera. Assim foram inventados
os efeitos especiais, que hoje encantam platéias no mundo inteiro.
O Santo Ilusionista e O Dia do Mágico
São João Bosco é um dos santos mais populares da Igreja
Católica e do mundo. Por seu talento como prestidigitador, que utilizava
para evangelizar e atrair fiéis aos seus sermões, é considerado
o padroeiro dos mágicos nos países católicos. São
João Bosco faleceu em 31 de janeiro de 1888. Por isso, no dia 31 de
janeiro comemora-se o Dia de São João Bosco e, também,
o Dia do Mágico.
Os Mágicos Modernos
Os mágicos modernos são muito diferentes dos antigos, embora
ainda existam aqueles que, de cartola e casaca, apresentam mágicas
consideradas clássicas.
Os ilusionistas de hoje podem ser esquisitos e engraçados, como o espanhol
Juan Tamariz, que consegue realizar maravilhas utilizando apenas um baralho,
ou sérios, como David Copperfield, que realiza espetáculos com
grandes aparelhagens, as chamadas grandes ilusões.
Curiosamente, um dos maiores mágicos da atualidade é o argentino
René Lavand, que perdeu um dos braços num acidente, mas é
considerado um mestre do ilusionismo com cartas de baralho (cartomagia).